FACS - Fundo de Apoio à Cultura da Soja
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 A primeira referência à soja no Brasil é do professor da Escola Agrícola da Bahia, Gustavo D’Utra, em 1882, reportando cultivo em seu estado. A cultura foi introduzida no Estado de São Paulo, em 1892 (Daffert, 1892) e no Estado do Rio Grande do Sul, em 1901 (Minssen, 1901). A produção comercial foi iniciada em 1940, também no Rio Grande do Sul. Em 1941, a soja foi mencionada nas estatísticas estaduais de produção agrícola e, nesse ano, também, foi realizado o primeiro processamento industrial (Vernetti, 1977). Nas estatísticas internacionais o País foi mencionado pela primeira vez como produtor de soja em 1949 (Miyasaka, 1961).

            A soja no Brasil, até meados dos anos 60, não tinha a importância econômica da cana-de-açúcar, do algodão, do milho, do arroz, do café, da laranja e do feijão.


            No entanto, a partir do final dos anos 60, o cenário mudou: a soja tornou-se economicamente importante quando a produção passou de 203 mil toneladas, em 1960, para 1,0 milhão de toneladas, em 1969. Nesse período, a produção ainda estava concentrada quase que exclusivamente no Estado do Rio Grande do Sul, com alguns campos em Santa Catarina e no Paraná.


            O maior aumento de produção de soja ocorreu na década de 70. De 1970 a 1980, a produção passou de 1,5 para 15,2 milhões de toneladas (aumento de 25,9% ao ano), enquanto a área passou de 1,3 para 8,8 milhões de hectares (aumento de 20,8% ao ano). Esse crescimento fez com que o Brasil aumentasse sua participação na produção mundial de 3,6%, em 1970, para 18,7%, em 1980. Nos anos 80, os Cerrados brasileiros começaram a ter importância econômica como região produtora.

 

            Em 1970, menos de 2% da produção nacional de soja era colhida no centro-oeste. Em 1980, esse percentual passou para 20%; em 1990, já era superior a 40%, e, em 2003, próximo dos 60%, com tendências a ocupar maior espaço a cada nova safra. Essa transformação promoveu o Estado do Mato Grosso, de produtor marginal a líder nacional de produção e de produtividade de soja.



            Os fatores mais relevantes que contribuíram para esse cenário foram: (i) significativo aumento do preço internacional dos produtos primários, no início dos anos 70; (ii) condições favoráveis de comercialização internacional da soja brasileira que tem a safra no período da entressafra americano; (iii) possibilidade de importação de cultivares de soja do Sul dos Estados Unidos; (iv) incentivos governamentais à cultura do trigo que utilizava a mesma estrutura de capital fixo da soja (máquinas e equipamentos) baixando os custos de produção; (v) estrutura cooperativista operante tanto na produção quanto na comercialização; (vi) melhora no nível das tecnologias oferecidas, que possibilitaram o aumento da produtividade nas regiões tradicionais e o aumento da área nas regiões dos Cerrados (baixas latitudes); (vii) agilidade e interação da pesquisa e extensão, facilitando o acesso às novas tecnologias; (viii) aumento da capacidade de processamento de soja. A capacidade instalada passou de 1,4 milhões de toneladas, em 1970, para 21,0 milhões, em 1980; (ix) rápido crescimento da avicultura nacional, entre 1965 e 1975; (x) alteração da política econômica, a partir de 1968 que influiu na taxa de câmbio e favoreceu as exportações; (xi) grande demanda por proteína devido à redução na produção mundial de farinha de peixe no início dos anos 70.

            A Tabela 3, que compara o desempenho da soja em regiões brasileiras, mostra que a produção de soja concentrou-se na Região Sul ou Centro-Sul, até o início dos anos 80. Os aumentos de área com soja ocorreram principalmente por substituição de culturas como arroz, feijão, mandioca, batata, milho e café na região tradicional de cultivo. As maiores áreas com soja estavam nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, mas Minas Gerais (Triângulo Mineiro) e as regiões sul dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás já contavam com áreas significativas fe crescentes de produção. A partir desse período, a produção aumentou consideravelmente na Região Centro-Oeste, pela incorporação de novas áreas de cultivo.


            A partir de meados da década de 80, a área cultivada com soja na região tradicional estabilizou-se e a área nas demais regiões expandiu-se até atingir o pico de 6, 4 milhões de hectares, em 1998 (Tabela 3).


            A produtividade das lavouras brasileiras, evoluiu positivamente ao longo dos anos como resultado da incorporação das tecnologias de produção, adaptadas às condições tropicais e subtropicais que caracterizam as regiões produtoras do País. Passou de cerca de 1200kg/ha, no início da década de 70, para 1730kg/ha, em 1980, apresentando ganho médio anual, para o período de 10 anos, de 4,2%. A produtividade manteve-se praticamente estabilizada até o início dos anos 90. A partir de então, apresentou novos incrementos significativos, atingindo 2367 kg/ha, na safra 1998/99, representando ganho anual de 3,5% para o período 1990/99.


1. A evolução tecnológica da soja


            A evolução inicial da soja no Brasil foi fortemente amparada pelo desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram o aumento da área de cultivo, mantendo-se a produtividade estabilizada ou com pequeno aumento. Com a estabilização da área, verificou-se aumento significativo de produtividade, devido à utilização de novas tecnologias. Além de cultivares adaptadas às diversas regiões produtoras, tecnologias geradas pelas mais diversas áreas de pesquisa contribuíram para que essas cultivares pudessem mostrar seu potencial produtivo.


            As tecnologias geradas para cultura da soja tiveram contribuições diferentes nos diversos momentos da evolução da cultura no Brasil. Pode-se dividir essa evolução em três fases: (i) primeira fase - adaptação de tecnologias; (ii) segunda fase – Geração de tecnologias ou independência tecnológica; e (iii) terceira fase - Tecnologias para expansão da fronteira agrícola.


            A primeira fase, com início nos anos 50, caracteriza-se pela adaptação de tecnologias com objetivo de atender a demanda crescente da cultura por informações sobre seu sistema de produção. Juntamente com as técnicas de cultivo, a adaptação e o desenvolvimento de cultivares tornou-se o primeiro objetivo da pesquisa com a cultura da soja.


            No final dos anos 50, foram introduzidas dos Estados Unidos cultivares com características agronômicas superiores e resistentes a algumas doenças. As mais conhecidas foram Hill, Hood, Majos, Bragg, Davis, Jew 45, Hampton e Hardee. Os trabalhos brasileiros de melhoramento genético foram iniciados ao mesmo tempo no Estado de São Paulo (Campinas e Piracicaba), em Minas Gerais (Lavras e Viçosa), no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul (Julio de Castilhos, Pelotas e Veranópolis).


            Além da indicação de cultivares importadas dos Estados Unidos, estudos sobre espaçamento, densidade, controle de plantas daninhas, consórcio milho-soja, e técnicas de inoculação foram sendo realizados paralelamente pelo IPEAS, IPAGRO, EMPASC e IAC.


             Foi criado em São Paulo, em 1951, o Serviço de Expansão da Soja, com objetivo de promover a cultura e incentivar o seu cultivo.


            Esta primeira fase se encerra nos anos 60 quando, utilizando-se basicamente a seleção a campo, nas linhagens americanas introduzidas, foram obtidas as primeiras cultivares brasileiras adaptadas às novas regiões produtoras. São elas, Santa Rosa, Pioneira, Serrana, Jubileu, IAC 3 e IAC 5.


            Nos anos 70, outras cultivares também foram obtidas e as principais foram Planalto, Pérola, Paraná, Prata, Pampeira, Missões, Sulina e Delta. A Santa Rosa, obtida ainda na primeira fase, foi a variedade com maior área cultivada, no início da década de 70, na Região Sul do Brasil.


            A segunda fase da evolução tecnológica da soja, inicia-se em meados dos anos 70, com a criação da Embrapa e do Centro Nacional de Pesquisa de Soja e caracteriza-se pela independência tecnológica. Nesse período, há um aumento anual significativo de área de cultivo que vai até o final dos anos 70. Novos trabalhos de pesquisa são implementados, atendendo a uma demanda crescente de informações tecnológicas para, mesmo com esse aumento de área, manter-se a produtividade da cultura.            Assim, nessa segunda fase, continuam ainda alguns estudos de adaptação de cultivares, ao mesmo tempo em que começam a aparecer as primeiras cultivares nacionais, obtidas do cruzamento entre as americanas introduzidas no Brasil. Nesse primeiro momento, o programa de melhoramento busca a obtenção de maiores produtividades e resistência a doenças. Variedades resistentes às doenças pústula bacteriana e mancha olho-de-rã, foram lançadas, e certamente contribuíram para a manutenção da produtividade da cultura, tornando-se obrigatória a inclusão dessa característica, em todo programa de melhoramento.


            Iniciam-se os trabalhos com qualidade de sementes e controle de insetos, dando início ao manejo integrado de pragas.


            São iniciados, também, os estudos de problemas potenciais como resistência à ferrugem e ao nematóide de cisto. Embora a ferrugem não tenha se tornado uma ameaça, o nematóide de cisto é grande preocupação no Centro Oeste. Esses trabalhos possibilitaram uma rápida resposta na obtenção de cultivares resistentes, quando do aparecimento desse nematóide, nas regiões dos Cerrados. A busca de cultivares adaptadas ao consumo humano e com resistência a insetos pragas também foram iniciados como estudos potenciais, atualmente com resultados concretos. O programa de soja na alimentação humana tornou-se prioridade na Embrapa Soja.


            A terceira fase da evolução tecnológica da soja, em meados da década de 80, destacou-se pela incorporação dos Cerrados tropicais no sistema produtivo agrícola nacional. A estabilidade climática dessa região e as condições topográficas favoráveis contribuíram para o desenvolvimento da agricultura. Com solos quimicamente pobres, foi fundamental a contribuição das pesquisas desenvolvidas nessa região, pela Embrapa Cerrados - Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados, que viabilizaram a produção sustentável de grãos. Embora criada nos anos 70, a Embrapa Cerrados teve sua maior contribuição nessa terceira fase. O aprimoramento da tecnologia de produção em áreas de fronteira agrícola, utilizando a soja na abertura dos Cerrados, em substituição ao arroz, bem como a obtenção de cultivares brasileiras altamente adaptadas a essa região, fez com que a soja tivesse considerável aumento de área de cultivo.


2. Importância da soja na expansão da fronteira agrícola
            A soja desempenhou importante papel na expansão da fronteira agrícola do Brasil, por levar as tecnologias de produção a essas novas áreas. Devido a sua rusticidade, a soja desenvolve-se em condições desfavoráveis comparativamente às demais culturas, e oferece, após a colheita, matéria orgânica de alta qualidade, viabilizando técnica e economicamente culturas como o milho, o algodão e as pastagens. Além disso, seu retorno econômico movimentou economias locais, viabilizou a instalação do comércio, da agroindústria, aumentando a oferta de empregos.


            Os incentivos à agricultura nos Cerrados começaram nos anos 70, primeiramente com o PRODOESTE (1972) e com o POLOCENTRO (1975),os quais tiveram influência marcante para o desenvolvimento da soja no início dos anos 80. A área com a cultura nos Cerrados como um todo (Tabela 3) cresceu de 1,29 milhão de ha, em 1980, para 5,13 milhões de ha, em 1989. O forte aporte tecnológico à cultura na região, aliado à estabilidade climática, permitiu aumento de produtividade de 1700 kg/ha, em 1980, para 2060 kg/ha, em 1989, enquanto que, na Região Sul, o aumento de produtividade no mesmo período foi de 1783 kg/ha (1980) para 1850 kg/ha (1989).


3. Desenvolvimento de tecnologias para áreas potenciais


            Ainda dentro dessa terceira fase, inclui-se o desenvolvimento de tecnologias para produção de soja para as áreas inicialmente denominadas de potenciais. Essas regiões encontram-se atualmente em franca expansão. É o caso do sul do Maranhão e do Piauí, norte de Tocantins e oeste do Pará. A obtenção de cultivares adaptadas e estudos de sistemas produtivos adaptados à região começam com a atuação do Centro Nacional de Pesquisa de Soja, em meados dos anos 80. Esse trabalho foi amparado no início, por parcerias com o BNB – Banco do Nordeste Brasileiro e com a EMAPA – Empresa Maranhense de Pesquisa Agropecuária e culminou com a instalação do Campo Experimental de Balsas (CE Balsas). A seqüência dos trabalhos no CE Balsas teve amparo decisivo com a parceria da Embrapa e a CVRD - Companhia Vale do Rio Doce que viabilizou o desenvolvimento de tecnologias que contribuíram para significativos aumentos de área de cultivo.


            Além dessa região de franca expansão, há também as regiões de Barreiras, na Bahia, e de Vilhena, em Rondônia, onde a cultura da soja apresenta excelente adaptação e continua aumentando a área de cultivo, amparada pela criação de novas cultivares e por tecnologias sustentáveis de produção.


Fonte: Centro de Inteligência da Soja e Embrapa



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